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Como o rapper Vandal submerge a própria linguagem espiritual no novo álbum VANGUARDAH

“Se eu to vivo aqui é porque a arte tem um propósito comigo”

24 de setembro de 2026

Como o rapper Vandal submerge a própria linguagem espiritual no novo álbum VANGUARDAH

Vandal, aclamado como um dos pioneiros do grime brasileiro, lançou em agosto deste ano o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado VANGUARDAH. Em atividade na cena desde 2007, o artista soteropolitano ganhou projeção nacional em 2015 com a TIPOLAZVEGAZH MIXTAPEH, obra fundamental para compreender a evolução da sua trajetória e os caminhos que o levaram até este novo projeto.

Composto por 10 faixas, algumas delas escritas há mais de uma década, VANGUARDAH conta com a produção do seu parceiro de longa data, Russo Passapusso do BaianaSystem. O disco transita com fluidez entre o rap e o pagodão baiano, potencializado pelo instrumental da Orquestra Afrosinfônica, que confere uma camada clássica com forte apelo histórico à obra. Entre denúncias ao sistema, críticas às desigualdades raciais que atravessam a cidade de Salvador e a exaltação do território e da cultura baiana, as faixas constroem uma narrativa forte e coesa. Todos esses recortes, fazem parte das vivênciais reais do rapper que contribuíram para toda construção lírica do álbum.

Falando em espiritualidade, um dos pontos mais fortes de toda a obra, o álbum se aprofunda em exaltar as figuras religiosas que fazem parte da cultura da Bahia. Em entrevista, Vandal conta que a religiosidade foi fundamental para mudar a perspectiva da sua vida diante da arte.

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“A religiosidade foi o caminho que fez com que eu tivesse essa paz para produzir e fazer as coisas. E isso é pontuado de forma massiva e de certa forma até exacerbada. O VANGUARDAH vem entregar essa ode a manufatura das coisas, essa ode de fazer as coisas de forma verdadeiramente artística. O álbum é muito maior do que eu. Ele é um ponto de cultura dentro dessa escassez de arte que o país está vivendo. É mais um disco de um devoto do que um disco de um Deus” disse Vandal.

Vandal comentou que o modo de se fazer arte e como ela é consumida pelo público, diz muito sobre a carga emocional colocada ali de forma coletiva. A ideia era pontuar e ressaltar em todas as faixas, as pessoas que contribuíram para o projeto acontecer, sempre colocando em foco as manifestações religiosas que os uniram. Além disso, ele afirma que o álbum é também sobre uma quebra de expectativas sobre o que esperavam dele musicalmente como rapper.

 “O VANGUARDAH não é sobre mim, é sobre um senso coletivo de se ver a vida. Eu vejo o álbum como uma ode a forma de se olhar a vida coletivamente, essa forma de fazer as coisas manualmente, essa forma de se olhar a arte com outro corpo. Ele tem sim essa carga direcionada, porque o próprio rap se comporta assim, ele tem esse lance do cronista, do trovador e de alguém que fala por si. Porém, ele estrapola isso, porque ele é um disco onde o ego do MC e do escritor é quebrado.” comentou.

 Como o rapper Vandal submerge a própria linguagem espiritual no novo álbum VANGUARDAH

Alinhado à forte carga espiritual do projeto, o álbum foi lançado no dia 13 de agosto, dia de Santa Dulce, importante figura religiosa da Bahia. Essa conexão se reflete diretamente ao longo das faixas, nas quais Vandal revisita os questionamentos que moldaram sua identidade artística e permitiram aflorar o seu lado mais espiritual. Esse amadurecimento é visível em toda a narrativa, que mescla os acontecimentos de sua vida pessoal com a necessidade de sonhar para se manter vivo.

"Eu sou devoto de Santa Dulce, sou devoto de uma forma mutio surpreendente dentro da vida. Temos a voz de uma Santa dentro do Disco” comentou.

"As minhas letras, vem desse sentido de vida real que eu tive, eu vivi pra poder tá fazendo música, eu não consigo fazer música sem viver. Eu tenho dificuldade em escrever se não for algo que eu não tenha vivido. Então todas as minhas letras trabalham esse senso de vida do que eu vi, vivi, ouvi e presenciei. Eu tenho que ir nas ruas pra ver o que tá acontecendo, fico vendo a movimentação da rua."

Em VANGUARDAH, Vandal busca revisitar a própria história como pilar de construção da sua identidade artística. O artista recorre ao olhar externo e à busca incessante por vozes historicamente silenciadas para integrar elas ao projeto. Esse senso de coletividade e o resgate das pessoas que o cercam foram fundamentais para o desenvolvimento do disco, que celebra a valorização do seu território e se conecta diretamente com as suas vivências familiares.

Do início ao fim, as faixas se entrelaçam de maneira orgânica até culminar no encerramento instrumental preciso da faixa "SONÄMBULOH", que amarra conceitualmente a obra. No fim de tudo, o VANGUARDAH se consolida como uma obra necessária e grandiosa sobre amor, coletividade, sonhos e ancestralidade, que mostram um Vandal pronto pra conquistar o Brasil.

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